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Virna Lisi está de volta
Banda que marcou a cena musical em Minas Gerais nos anos 1990 prepara show para a abertura do Eletronika
Por Mariana Peixoto (Jornal Estado de Minas)
“Há uns três anos vem rolando uma paquera. Convidei o Ronaldo para alguns shows, o Henrique faz parte da minha banda e cheguei a cantar com o Bluesatan (banda de Gino e Luiz Lopes)”, conta César Maurício. A história começou a tomar corpo depois do festival Garimpo, em setembro, quando César foi chamado para o palco do Bluesatan. Um texto de Terence Machado relatando esse encontro, publicado na coluna Esquema novo, do caderno Divirta-se, foi parar na mesa de Aluizer Malab, produtor do Eletronika. Não levou muito tempo para que ele convidasse o grupo para abrir o festival. Desde então, um mês de ensaios diários (ao menos três horas) tem tomado as noites dos cinco no estúdio Serrassônica, de Gino, na Serra.
“A hora é essa. O som veio de uma forma deliciosa e só não iríamos voltar se não quiséssemos mesmo”, comenta Ronaldo Gino. “Nos anos 1990, surgiram várias coisas em lugares diferentes. E acho que temos um lugar no rock daquela época. A gente flertava com várias possibilidades da música e paramos na hora que tínhamos que parar, tanto que nossa obra se fecha nos três discos”, acrescenta César Maurício. Se hoje misturar rock com samba virou uma fórmula, o Virna fez isso de forma original, provocativa. Marcelo de Paula completa falando dos momentos em que Gino brincava com a guitarra fazendo um som de tamborim e de reco-reco. “É algo visceral, verdadeiro.”
O Virna foi criado em 1989. Lançou seu primeiro álbum, Esperar o quê?, em 1992, antes que viessem as estreias de Skank e Pato Fu. O disco saiu pelo selo Tinutus, criado pelo produtor Pena Schmidt para lançar novos grupos. Em seus primórdios, o grupo era essencialmente uma banda de pós-punk. À medida que o tempo foi passando, foram acrescentados elementos da música brasileira, como samba e congado, por meio de instrumentos de percussão. A banda não demorou a se tornar conhecida no meio underground. Sempre foi boa de crítica também. Veio o segundo álbum, O que diriam os vizinhos? (1995), que trazia como um dos carros-chefes uma releitura de Eu quero essa mulher, de Monsueto. Na época ainda no Tinitus, a banda mudou de gravadora para o terceiro álbum, Se desce a lona vira circo, se cerca vira hospício (1996). A MCA acabou sendo vendida para a Polygram (que veio a se tornar Universal). O disco não vendeu o esperado, os conflitos começaram (Marden já havia deixado o grupo) e o Virna logo se desfez.
Radar Tantã
Ronaldo e César logo formaram, com outros músicos, o Radar Tantã, que durou cinco anos e lançou três discos (só o primeiro teve o guitarrista na banda). Ronaldo, além de ter formado outras bandas, criou com André Melo o Serrassônica, estúdio para gravação de comerciais e trilhas que neste ano acabou se tornando também um selo. César se tornou parceiro de Lô Borges, Márcio Borges, Samuel Rosa, entre outros, e gravou um álbum solo (ainda não lançado). Artista plástico, deixou a pintura de lado para desenvolver um trabalho de xilogravura. “É uma tentativa de fazer meus textos se encontrarem com as imagens”. Ainda atua, com a mulher, a antropóloga Clarisse Libânio, na ONG Favela é isso aí.
Marden voltou para Montes Claros, foi trabalhar com arquitetura e desligou-se da música. Marcelo viveu um tempo na Europa, formou o The Paula, que lançou dois álbuns e ainda permanece na ativa, e divide-se hoje entre BH e Montes Claros, onde desenvolve um trabalho social ligado à música. E Luiz tocou com meia Belo Horizonte (de cover de Legião Urbana até grupo de rap, passando ainda pelas banda Mandrake e Falcatrua). Ainda trabalha como tatuador. Henrique, fã desde sempre do Virna, entrou para o grupo por causa de César – além de tocar com ele, produziu o álbum do vocalista da banda.
Pais e filhos
Marcelo ri quando fala dos tempos atuais, em que os ensaios, não raro, contam com a presença dos filhos (são seis ao todo, sendo que o de Ronaldo, integra o Bluesatan). “Quando olho para os meninos, vejo que o futuro chegou”. O show da semana que vem terá somente as músicas registradas pelo Virna. O repertório terá entre 17 e 20 faixas. Não há, por ora, nenhuma música inédita. É cedo para falar de planos, mas eles vêm esboçando algumas ideias.
A intenção, pelo menos para esse momento inicial, é recuperar o material registrado pela banda nos anos 1990. As páginas do Virna no MySpace (www.myspace.com/virnalisioficial) e no Last FM (www.last.fm/music/Virna Lisi) trazem não somente as faixas, como também clipes do grupo. Há mais material inédita que deve ser disponibilizado na internet nos próximos meses. Existe a vontade de reeditar os três discos numa caixa, bem como a gravação de um registro ao vivo. Quando e como, ninguém sabe ao certo. Nesse momento o que importa é que a volta do Virna é pra valer.
ELETRONIKA
O festival será promovido de 5 a 7 de novembro no Espaço 104, Praça da Estação; Deputamadre, Avenida do Contorno, 2.028; A Obra, Rua Rio Grande do Norte, 1.168; e Velvet, Rua Sergipe, 1.493. O show do Virna Lisi abre o evento, na quinta-feira, às 21h, no Espaço 104. Ingressos: R$ 30 e R$ 15 (meia). Informações: (31) 2535-3858. A programação completa está no site www.festivaleletronika.com.br
url: http://www.new.divirta-se.uai.com.br/html/sessao_19/2009/10/30/ficha_musica/id_sessao=19&id_noticia=17244/ficha_musica.shtml
título: Virna Lisi está de volta
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Por Terence MachadoO Virna Lisi ou simplesmente Virna, como os admiradores carinhosamente passaram a chamar a banda, nasceu para contrastar a beleza da atriz italiana que emprestou nome à formação com canções estonteantes e belas de outra maneira. A acidez, crueza e até feiúra sugerida em algumas ranhuras sonoras, grunhidos vocais e tantos outros elementos, que numa audição menos atenta poderiam atrair adjetivos pejorativos, sempre fizeram parte do “tombo” ou rasteira estética sugerida pelo Virna. Ao fim de tudo, até a hiena ria! E com a boca cheia de sangue, fazia o circo natural do grupo parecer hospício. De palhaços ou falsos rock stars o mercado brasileiro já estava cheio, certo? O inferno então...
Com um contrato para três discos abortado, antes de nascerem as duas últimas crias, isso em 1997, a banda se dissolveu. E parecia deixar o titulo do primeiro disco, gravado em 92, eternamente clamando por uma resposta – Esperar o quê. O que diriam os vizinhos? A segunda pergunta e disco ficariam perdidos no ar e nos sebos de vinil? Questionamentos que nenhum dos projetos posteriores de alguns dos integrantes responderia à altura, por mais bem cuidado que fosse. Os vizinhos talvez dissessem que o Radar era funcional e preciso, mas não Tantã como “desnorteava” o nome. O The Paula seria um belo lado C de uma banda como o Virna, que nunca deixou de ser um estupendo lado B no mapa musical do Brasil. Seria cruel lembrar de César Maurício pela capa de Siderado, do Skank, ou pelas letras doadas ao mesmo grupo. Ou pelos tantos gatos coloridos, chamativos e imponentes pintados por ele, sem poder escutá-lo vociferar suas canções e castigando seus instrumentos de percussão.
E agora, ao fim de uma década marcada por tanto revival de toda a natureza, desde a histórica reunião do Police à retomada do thriller real e assustador de Michael Jackson, com a tragédia promovendo um novo culto à vida e obra do artista, nada mais justo e proveitoso que o retorno da banda, que apareceu na hora certa, acabou antes da hora e merece (e parece) querer voltar a qualquer minuto, depois de vários anos de silêncio. No dia 6, durante apresentação da Bluesatan, nova banda de dois ex-integrantes do Virna Lisi – Ronaldo Gino e Luís Lopes –, o vocalista César Maurício foi convidado a subir no palco e juntos tocaram Eu quero essa mulher assim mesmo e Esperar o quê, no que pode ter sido a primeira resposta rápida para tantas perguntas e possibilidades em aberto. “Acho que não pode ser muito revival, não. A gente tem que trazer aquele espírito para criar algo novo. Já rolou um ensaio recente e a vontade de tocar junto sem grandes obrigações é o que tem impulsionado esse reencontro”, garante Gino.
“Esperar o quê? Não vou mais esperar, não vou mais esperar, vou me desesperar!”
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ítulo: Esquema Novo - Vou esperar só mais uma hora
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